A Barraca do Beijo – Conversar ainda continua sendo uma boa opção

Por vezes, quando se busca abstrair as ideias, assistir uma comédia romântica pode lhe cair bem.

A barraca do beijo, nova produção da Netflix, já é um dos filmes mais comentados nas mídias digitais, ganhando admiração principalmente do seu público alvo, teen. Mas, seria essa produção sobre primeiro beijo?

Dois amigos inseparáveis, Elle (Joey King) e Lee (Joel Courtney), tanta sincronia, que suas histórias contemplam os fatos de suas mães terem sido melhores amigas, dos dois terem nascidos em mesma data e horário e, formarem a dupla mais dançante da escola. O plano de fundo para o encaminhamento da trama não difere muito de outros filmes do segmento: ensino médio + jovens + estereótipos + festas + álcool + pegação e uma pitada de sobrevivência à lógica local.

O fato de terem crescidos juntos, e estabelecido esse laço afetivo, Elle e Lee desenvolveram as diversas fases de aprendizados e dificuldades, todas pautadas em regras primordiais, por eles desenvolvidos quando tinham seis anos de idade – e, talvez, fosse a hora de revisitar essas regras… Talvez.

Mas quando se cresce, e a regra número nove precisa ser quebrada… Elle se depara com a possibilidade de instabilidade em sua amizade de longa data. Algo realmente mudou, mas não é sobre o Lee e sua relação de amizade, é sobre decisões pessoais.

Qual o limite da intervenção masculina nas decisões das mulheres? Seria essa (intervenção) a definição de proteção?

O filme é uma adaptação do livro homônimo, da autora Beth Reekles e, por ser uma produção voltada principalmente ao público jovem, alguns temas são tocados de forma sutil, sem perder sua relevância, como é o caso do assédio em ambiente escolar, da mesma forma que alguns comportamentos masculinos agressivos e suas implicações, e, principalmente sobre a postura “falsa protetiva”, claramente verificada no relacionamento entre Noah (Jacob Elordi) e Elle.

A obra trava, então, uma percepção sobre o amadurecimento e fortalecimento das relações de amizade à medida que novos desafios e descobertas são postos à vida dos jovens, reafirmando a importância do estabelecimento do diálogo como resposta à cumplicidade/parceria e, para a dissolução de problemas e ou desentendimentos.

E, como comédia romântica teen… rola uns pega-pegas e algumas cenas bem divertidas também – rola até uma torcida, em algumas situações…

P.S. “A barraca do beijo” não passa no teste de Bechdel.

Danielle Sodré
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Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões