A expansão de Lara Croft em ‘Tomb Raider – Caça às Bruxas’

No ano de 2013, a franquia Tomb Raider recebeu uma repaginada tanto na sua origem quanto na estrutura da sua personagem central. Pulamos, literalmente, de eras – fechando em 2008, com o Underworld, a era dos trajes diminutos da inglesa envolvida em tramas místicas, ou não, a fim de solucionar os mistérios familiares. Na outra ponta, a partir de 2013, temos um “restart” do que a franquia representa ao público gamer.

Muitos foram os questionamentos quanto às consequências da “integridade histórica” que essas mudanças causariam. Tomb Raider 2013 foi, de fato, um dos marcos de mudança sobre a concepção de representatividade feminina, sob a perspectiva do público geral. Hoje, incansavelmente – muito mais notório do antes – debatemos sobre a indústria que a cultura pop movimenta, de como seus produtos refletem sobre seus consumidores e sobre o quanto era preciso aproximar da realidade o que era produzido.

Segundo pesquisa do Game Brasil, 53,6% dos jogadores são mulheres (dados de 2017). Esse percentual tem se ampliado, pois muitas destas jogadoras têm ganhado fôlego para sair do anonimato, se envolvendo em debates, participando de grupos com demais jogadoras etc., e fazendo um movimento que tem posto em “cash” a questão da representatividade – enquanto mulheres reais, de encontrarem nos diferentes jogos  personagens da ficção mais compatíveis/próximas com os anseios dessas mulheres, mudando assim, a percepção aplicada à construção dos games.

Com esse apelo de mudança, o game Tomb Raider 2013 ganhou um olhar curioso sobre o que seria apresentado, sobre como as mudanças sugeridas iriam “impactar” no público conservador. Apesar de alguns movimentos de resistência (“aah porque eu prefiro a anterior… a anterior que é original…” blá blá blá) que, aos poucos foram se tornando obsoletos frente ao potencial revigorante que o jogo seguiu, tivemos por fim, um franquia renovada, uma promessa de novo sucesso – segundo informações do estúdio que desenvolveu o jogo, Crystal Dynamic, no evento GDC 2013, a primeira semana de vendas da nova franquia do Tomb Raider fora a melhor de todas, quebrando assim, seu primeiro recorde de vendas.

Todo esse movimento fez prosperar a continuidade da história não apenas na mídia digital, como também, em extensões para livros e quadrinhos, como é o caso do quadrinho trazido pela New Pop e escrito por Gail Simone – Tomb Raider Caça às Bruxas – que dá seguimento à aventura mal resolvida em Yamatai e seus mistérios.

Um dos pontos mais marcantes da franquia – desde os primeiros lançamentos – e, não menos notado nessa hq, é o cuidado em trabalhar com elementos da história real – com a riqueza de detalhes – para o universo ficcional, podendo ser assim considerado como uma marca registrada da mesma. Quanto a aventura, tem um ritmo crescente interessante e muito conecto entre a transição de cenas; tão fluido que a leitura das 144 páginas passa ligeiro!

Ainda é possível encontrar esse exemplar nas principais livrarias, até mesmo no site da editora. Já existe continuidade do enredo nos volumes dois e três dos quadrinhos intitulados, respectivamente, como “Segredos e mentiras” e “Rainha das Serpentes” (tradução livre), todos publicados pela Dark Horse, mas sem nenhuma previsão para suas versões tupiniquins – ainda mais neste período de crise editorial que temos acompanhado…

P.S. Tomb Raider – Caça às Bruxas passa no Teste de Bechdel.

Danielle Sodré
Sobre Danielle Sodré 34 Artigos
Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões

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