A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas – Um brinde a nossa esquisitice

O filme, escrito e dirigido por Jeff Rowe e Michael Rianda, trás uma família (no mínimo peculiar) como centro das atenções em uma missão para salvar todo o mundo da revolta das máquinas. Jeff e Michael também estiveram envolvidos com a série animada Gravity Falls.

 

A família Mitchell e a Revolta das Máquinas é visualmente interessante. Uma mistura de 2D, 3D, aquarela e pequenas interferências de uma guria que faz scrapbooking. A combinação “impossível” prendeu o olhar de 4 crianças entre 2 e 33 anos. 

 

Apesar da aventura mostrar toda a família, fica claro o protagonismo de Katie, a filha mais velha. Ela está terminando o ensino médio e é uma “esquisita” de carteirinha: não tem roupas da moda, não liga para a aparência, produz vídeos caseiros com temáticas inusitadas, desenha carinhas na calça rasgada e muitas outras coisas. O maior objetivo dela é conseguir chegar na faculdade e conhecer a sua tribo, então já sabemos que ela não se sente parte de nada naquele lugar.

 

Os pais e irmão chegam como opostos complementares. Fica claro que não é só uma questão de diferença entre gerações, mas sim um conflito de personalidades e interesses. A mãe é uma professora do ensino básico que tenta trazer o entendimento entre eles, o pai é um homem da floresta frustrado com a tecnologia e o irmão é o diferente mais próximo: ama dinossauros, sabe tudo sobre eles e usa tecnologia. Nem o cachorro deles consegue pegar uma bola.

 

Toda a parte visual e de desenvolvimento de personagem nós devemos agradecer a Lindsey Olivares e seu time de artistas, que estiveram envolvidos em títulos como Trolls e Emoji: O Filme. 

 

Outro ponto interessante é que o filme trás, discretamente, algumas outras questões sobre Katie que, se você for um pouquinho mais esperto, vai perceber. 

Ao longo da animação vemos também como há a comparação entre eles e um molde família “perfeita”. Os Mitchell também ganham novos membros e quebram suas barreiras – ou quase isso. Algumas críticas e sinopses acrescentam que a família de Katie é disfuncional, mas eu não sei até que ponto isso é verdade. Pessoalmente não usaria essa palavra.

 

A trilha sonora trabalha em conjunto com o filme, mas não tem grandes novidades. É animada, tem rock barulhento e músicas vergonhosas que os pais cantam e dançam para os filhos. 

 

Os pormenores sobre a trama, como os robôs, e o que motivou a revolta seriam, no bom baianês, encheção de linguiça.

 

Fato é que tem um esquisito para cada gosto nesse filme. Eu já fui a Katie pintando as unhas com canetinha e hoje sou a mãe que faz coisas impossíveis com a carga de adrenalina certa. Fiquei até curiosa para saber quais esquisitices você já fez ali.

 

Antes de finalizar com o veredito, já vou avisando: Não nasci pra ser cult.

Larissa Bacelar

Larissa Bacelar

Mãe Trekker. Tem como profissão o Design Gráfico e aposta sempre na inteligência e na originalidade como boa pertencente da Ravenclaw.