A Gente Se Vê Ontem: Sci-fi e Conflitos Sociais

Muito se fala nos avanços tecnológicos obtidos nos últimos anos. A forma como nos comunicamos e consumimos certos produtos têm mudado desde o início da última década, e isso se deve muito com o que nós vemos nos produtos que o cinema e a tv nos tem oferecido. Um dos temas que mais vistos é a viagem no tempo. Desde os escritos de  H. G. Wells, em ‘A Máquina do Tempo’ (1895), temos esse fascínio em voltar ao passado e modificar algum fato. Com a popularização do tema nas telas – graças a ‘De Volta Para o Futuro’ em meados dos anos 80 e suas duas continuações -, temos visto a utilização do artifício. Contudo, nunca um propósito verdadeiramente importante foi retratado…até agora.

 

Claudette ‘C.J.’ Walker (Eden Duncan-Smith) e Sebastian J. Thomas (Dante Crichlow) são dois adolescentes prodígios, no coração do Brooklyn, que dedicam grande parte da adolescência construindo uma máquina de viagem no tempo. Um primeiro teste dá certo e aí é só alegria. No entanto, a possibilidade de viajar entre temporalidades acaba se tornando ainda mais importante quando Calvin (Astro), irmão de CJ, morre nas mãos de um policial.

 

 

Com essa trama inicial, vemos uma premissa que difere de qualquer outra sobre viagem no tempo. Afinal, ver o nome de Spike Lee como produtor já é um chamariz gigante para isso. O tema de viagem no tempo vira pano de fundo para o tema principal: o racismo e a truculência policial com os negros americanos. Dessa forma, Lee nos mostra mais uma vez que, por mais que mudanças no passado sejam feitas, a violência contra o negro sempre terá consequências altas. A mídia, no filme, mostra isso ao comentar diversos atos e citar sempre como a violência policial está sempre presente no cotidiano da população negra.

 

Com um subtexto social muito forte, A Gente Se Vê Ontem traz o tema para a luz do gênero sci-fi, assim como Octavia Butler faz em seus livros. Para alguns pode parecer um filme menor, para outros pode ser uma história simples e de pouco impacto, mas ele vai além dessas impressões primárias. A influência de Spike Lee e a direção discreta, porém eficiente de Stefon Bristol dão fluidez e consistência à mensagem a ser passada. Afinal, vidas negras importam!

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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