A Objetificação da mulher no cinema

31É claro para o público que consome a cultura pop, sobre a existência da hiper sexualização do corpo feminino como recurso interativo, especialmente voltada para o consumo masculino, nas diversas mídias que a abrange. Fica mais evidente isso, quando vemos que existe uma verdadeiro hegemonia masculina na indústria de produção de subsídios da cultura pop.

 

Em 1972, John Berger escreveu em sua obra Ways of Seeing sobre a relevância das imagens. Ele considera que uma imagem fotográfica não é o produto puro da atividade de uma máquina, mas sim um recorte selecionado pelo fotógrafo, isto é, essa escolha é feita dentre uma infinidade de cenários possíveis. Assim, a fotografia revela a visão do fotógrafo sobre os mais diversos aspectos existentes no mundo. A conclusão de Berger é que os homens observam enquanto as mulheres são observadas, ou seja, a figura feminina acaba sendo transformada em um objeto e, como tal, em um sonho de consumo.

 

Laura Mulvey, em 1974, acaba por denominar essa prática de representação feminina na mídia de Male Gaze. Sob uma perspectiva freudiana, Mulvey afirma que Hollywood conseguiu codificar o erótico visualmente dentro da ordem patriarcal – o cinema conseguiu manipular o prazer visual – o que complementa a ideia de Berger, ao falar sobre a obra pelo recorte de quem a produz. O enquadramentos, focos e planos está mais condicionado a quem manipula a câmera e a dirige, em sua maioria homens, do que com a história em si.

 

O olhar estrangeiro objetificante e hiper sexualizado ao corpo de mulheres latinas, negras e asiáticas é ainda mais potencializado pelos filmes de maior circulação. Clara Matheus, em seu vídeo “A Filosofia do erotismo e da objetificação” no Canal Mimimidias, afirma que “o corpo não é só entendido como hiper sexualizado, mas como sub intelectualizado”, isto é, são mulheres atraentes e sem predominância intelectual.

 

Se trouxermos isso para o cinema brasileiro, o cenário é ainda pior quando ainda se tem uma margem pequena de mulheres na direção dos filmes. De 1930 até 1969, apenas 13 filmes tiveram uma direção feminina. E, até o início da década de 2010, apenas 15% de todas as produções cinematográficas foram dirigidos por mulheres. E essa objetificação é mais potencializada se levarmos os programas difundidos na televisão (como Pânico na TV), onde é ainda mais estigmatizado a hiper sexualização e sub intelectualização da mulher brasileira.

 

Nós, como consumidores, temos o papel de analisar, criticar e repensar o olhar para tais produtos. Seria ingenuidade interpretá-los com uma visão singela apenas de quem o idealizou e lucra com ele. O processo de dissecar tais obras passa por uma conduta de consumir, digerir e regurgitar o que não cabe mais em nós. A partir dessa postura, poderemos, quem sabe, construir uma sociedade em que a mulher não seja apenas um objeto para mera apreciação.

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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