A reflexão familiar de ‘Assunto de Família’

Depois de uma de suas sessões de furtos, Osamu (Lily Franky) e seu filho se deparam com uma garotinha. A princípio eles relutam em abrigar a menina, mas a esposa de Osamu concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta. Embora a família seja pobre, com sustento do pouco que arrecadam de pequenos crimes que cometem, eles parecem viver felizes juntos, até que um incidente revela segredos escondidos, testando os laços que os unem.

O que é uma família? Esse foi um dos questionamentos com que me deparei ao sair da sala de cinema. Muito atual, e não à toa, vencedor do Palma de Ouro, Assunto de Família nos  apresenta a duas realidades diferentes que envolvem o cuidado com uma garotinha e que nos fazem indagar o que realmente é certo e errado nos atos humanos.

Ao meu ver, a questão norteadora do longa é sobre a natureza humana e em como seus atos, nem sempre bons, podem ser carregados de bondade.

Em uma família aparentemente normal, uma garotinha é exposta a abusos físicos e psicológicos. Ao ser levada para outra família (ato caracterizado como sequestro), essa garotinha é tratada com respeito e amor.

A relação dos membros da família entre si e com a garotinha constantemente demonstram em forma de afeto. É comovente ver a evolução da personagem infantil que começa tímida, medrosa e muda, e encerra alegre, expansiva e cantando.

Sem dúvidas, esse é um daqueles filmes que nos fazem questionar sobre nossas próprias vidas e nos mostram que nem tudo é uma luta constante e fundamentada entre o bem e mal. Na maioria das vezes, é a índole do indivíduo se mostrando mutável e permeando entre atos bons e ruins, sem destituir, em si, a bondade e a beleza da vida. Vale a pena assistir.