A Representatividade Negra na Cultura Pop

O mundo do entretenimento mudou bastante, principalmente na forma como o consumimos. Hoje em dia é quase impossível não perceber que as produções elaboradas para as diversas mídias abordam temas do nosso cotidiano como, o racismo, o empoderamento feminino, política ou, até mesmo, como nós, enquanto sociedade, nos comportamos perante às novas tecnologias. Nesse contexto, é indiscutível que temos visto em tela é uma grande gama de negros em produções de primeira linha.

A cultura pop, como um todo, tem em si um problema de representação racial. Nos filmes, o negro sempre fez papel de bandido, ou assume o papel de primeiro a morrer nos filmes de terror, num geral. Para a TV, uma produção que vem à memória é o seriado “OZ”, da HBO. Esta é uma série sobre o cotidiano vivido dentro da prisão de segurança máxima Oswald, onde a maioria da população carcerária retratada é negra, sendo então, um exemplo de produção que recorre à representatividade negra como marginalizada.

Na literatura, Monteiro Lobato nos entrega o Sítio do Pica Pau Amarelo, livro que faz parte da literatura brasileira há tanto tempo. Contudo, a forma como é descrita a Tia Nastácia – personagem negra responsável pela maioria das receitas do sítio – onde se revela a relação velada do racismo, em momentos naturalizados quando como a Emília a chama de macaca, beiçuda, preta burra dentre outras coisas – imagine a magnitude desses adjetivos repercutidos através da leitura durante décadas?

Quando colocamos em pauta a questão da representatividade para o público nerd então, era algo quase impossível de se palpável. Puxando pela memória, há uma das poucas produções que me vem à mente, a qual seria o Super Choque. Além de ser um personagem que conversava diretamente comigo pelo viés adolescente, foi através dele quando me senti mais representado com o que assistia – isso colocando que a TV naquela época (referindo-me aos anos 2000) tinham poucas produções para a TV aberta voltados à veia nerd.

Nessa linha de pensamento é que reiteramos a importância de produções como Pantera Negra, a qual traz em seu elenco uma quantidade majoritariamente negra, e que seu principal personagem apresenta-se como uma máxima liderança de uma nação africana. Além desses tipos de produções, não podemos esquecer das importantes contribuições para a ficção por Octavia Butler, escritora negra, que trouxe a parábola negra a um gênero que não se via a representatividade negra explícita, como é o ambiente da ficção científica.

Escritora Octavia Butler

Se perceber como parte de uma produção é mais do que necessário para a formação cidadã de um indivíduo. Por atingir centenas de pessoas o entretenimento é um dos maiores disseminadores das informações. Ao se enxergar em meio a tudo isso, podemos lidar e entender o mundo ao nosso redor. O mundo é plural e com pessoas dos mais diversos tipos – é isso que faz dele possível de maravilhas, horrores e as coisas mais fantásticas.

Sobre Ronan Carvalho 109 Artigos
Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen