A Ressignificação da Arlequina em ‘Aves de Rapina’

É inegável que os filmes baseados em quadrinhos estão aí e vieram para ficar, goste você ou não do gênero. Na corrida maluca que se estabeleceu entre Marvel e DC, a casa do Batman corre muito atrás desde o fracasso do seu universo compartilhado. Contudo, a DC vem se estabelecendo em filmes menores e mais focados em personagens específicos, vide o colorido ‘Aquaman’, o divertido ‘Shazam!’ e o seu “oscarzável” ‘Coringa’. Em ‘Aves de Rapina’, mostra-se que é possível sim fazer um filme de um grupo de heroínas (foi mal, ‘Liga da Justiça’).

 

O filme é estabelecido após os eventos de Esquadrão Suicida e, tirando uma referência ou outra, ‘Aves de Rapina’ tem a sábia decisão de ignorar o filme de David Ayer. Com referência visual do longa passado, mas numa escala menor e, ainda assim, colorida e vibrante, o filme dirigido por  Cathy Yan acerta em cheio na mistura de humor e ação, com momentos visualmente bastante violentos. As sequências de ação não são clipadas como vários filmes do gênero – de tantos cortes, fazem com que a gente se perca no espaço onde tudo acontece.

 

Um dos destaques está no texto do filme, assinado por Christina Hodson. Aves de Rapina consegue, em meio à comédia caricata e a violência catártica, trazer assuntos relevantes. O filme tem toques feministas, mas de forma sutil, casando com a trama e sem ser panfletário, de forma orgânica. O único “porém” do roteiro é a demora até o encontro das heroínas. O filme leva mais da metade do tempo para reuni-las, dando uma sessão de rapidez no terceiro ato.

 

O segundo maior destaque é o elenco. Margot Robbie se consolida como Arlequina e consegue entregar uma atuação mais palatável, porém ainda bastante caricata, mas que funciona perfeitamente com o tom do filme. Rosie Perez faz uma Renne Montoya ágil e durona, Jurnee Smollet-Bell dá camadas à sua Canário Negro e Mary Elizabeth Winstead mostra uma caçadora bastante consistente. Todas tem seu momento de tela e ganham destaque.  Ewan McGregor dá ao Mascara Negra mais do que uma função de vilão, mas de mostrar que os tiques do dito “macho viril” esconde uma personalidade fragilizada, necessitando de uma auto afirmação constante.

 

Com pouco menos de duas horas, ‘Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa’ consegue entreter e deve agradar o público geral. Trazendo uma mensagem clara para galgar o seu lugar ao sol no meio do machismo característico dos filmes do entretenimento nerd, a DC pode ter uma nova franquia nos cinemas, abrindo espaço para mais mulheres produzirem, dirigirem e atuarem na indústria do cinema.

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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