Apesar de algumas derrapadas, ‘O Doutrinador’ é um norte na adaptação de quadrinhos nacionais.

O quadrinhos estão cada vez mais em nosso cotidiano. Em tempos de adaptações dessa mídia para o cinema, não demorou muito para termos esse estilo literário em nossas terras tupiniquins ganhando a telona. Tungstênio, obra de Marcello Quintanilha, por exemplo, soube transferir a estética do quadrinho para as telas, e entregou uma ótimo resultado aos espectadores.

Nessa levada de produções, eis que nos deparamos com a primeira história em quadrinho nacional de super heróis para o cinema, e, acredito, que já temos um indicativo de bom começo.

O Doutrinador é uma adaptação da obra homônima escrita e desenhada por Luciano Cunha, que também assina o roteiro da obra. Acompanhamos a história de Miguel (Kiko Pissolato), um agente federal altamente treinado que vive num Brasil cujo governo foi sequestrado por uma quadrilha de políticos e empresários. Uma tragédia pessoal o leva a eleger a corrupção endêmica brasileira como sua maior inimiga, e começa matar a elite da política brasileira.

Ao conhecer a história do personagem, é rápida a associação com o Justiceiro da Marvel. Os mesmos elementos do personagem da Marvel estão na sua versão tupiniquim, o que pode causar algum senso de plágio pelos mais críticos. No produto audiovisual, a ambientação da cidade fictícia é bem montada, com planos aéreos, e uma estética noir que dá um clima que casa bem com a temática proposta. As cenas de luta e ação são bem coreografadas assim como, os efeitos práticos e visuais.

As atuações possuem um destaque também. Kiko Pissolato consegue dar fisicalidade ao personagem, apesar de derrapar um pouco no quesito dramaticidade. Tainá Medina consegue ir além da harcker (que faz a personagem Nina), e entrega uma dualidade entre o que é certo e o que é preciso ser feito. Destaque para a trilha sonora que dá vigor, e vivacidade às cenas.

Contudo, há algumas falhas no roteiro. Por vezes, senti uma certa pressa em chegar ao ponto principal da história. A tragédia que faz o herói se tornar herói, é pouco explorada – é rápida demais para ter qualquer peso que você faça acreditar no que é exposto. Outro destaque negativo são os vilões, caricatos demais, para a produção que tenta se levar a sério, chegando ao nível de clichê em uma cena que utiliza o recurso da música clássica como plano de fundo à risada maléfica – lembrando os vilões de desenho animado.

Sem tomar partido, o que dividira muito o seu público, O Doutrinador se mostra com uma “luz” para adaptação de quadrinho para o cinema nacional. Com uma série já engatilhada para os próximos anos, esperamos que outras obras também ganhem as telas.

Que venha Turma da Mônica!

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen