Apesar de boa atuação, Tom Hardy não salva ‘Venom’ de enredo problemático

Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista investigativo que possui um quadro solo em uma emissora local. Ainda que seja considerado polêmico e causador de problemas, seu chefe o seleciona para entrevistar Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida. Após acessar um documento sigiloso enviado à sua namorada, a advogada Anne Weying (Michelle Williams), Brock descobre que Drake tem feito experimentos científicos antiéticos em humanos, sob o pretexto de encontrar possíveis usos medicinais de suas descobertas espaciais para a humanidade. Seis meses depois da entrevista, o desempregado Brock torna a entrar no caminho de  Drake, que é acusado de utilizar simbiontes alienígenas em testes com humanos.

A sinopse do filme ‘Venom’ já mostra a todos que conhecem minimamente o universo do Homem-Aranha que as coisas mudaram – o que não é, necessariamente um problema, pois adaptações precisam ser feitas para dar fluidez aos filmes. Contudo, o conjunto da obra não agrada.

Nesta versão, em particular, temos o afastamento completo do simbionte de seus “poderes” aracnídeos, mas, que ainda é um organismo alienígena. Justiça seja feita, as habilidades e o visual de Venom neste longa ficaram muito interessantes, sendo bons substitutos da versão dos quadrinhos – e um acalento ao coração dos fãs que tiveram o desprazer de ver aquela versão pífia em Homem-Aranha 3 (2007).

Em termos de atuações, não temos muito do que reclamar, pois Tom Hardy entrega um bom Eddie Brock, e Riz Ahmed nos apresenta um gênio inescrupuloso e realisticamente carismático. Mas para por aí, pois os demais coadjuvantes estão apagados na trama – ainda que Michelle Williams esteja impecável, sua personagem só serve de âncora para o protagonista. E aí chegamos no problema central deste filme: o enredo.

Sendo um filme de origem, é esperado que se montem as bases de caráter  dos personagens, os vínculos entre eles e seu papel na sociedade retratada. O que foi mostrado neste longa, entretanto, foi um primeiro ato arrastado e, por vezes, confuso. A segunda parte do filme ainda demora a engatar, mas “desembola o mingau” das informações. Quando o vilão é, enfim, revelado. Esperei uma sequência de ação interessante; quebrei a cara… A sequência da batalha entre Venom e o “temido” vilão é desnecessariamente escura e rápida, fazendo inveja ao Hulk de 2003. A mega ameaça é neutralizada tão rapidamente que mal dá tempo de decorar o nome da criatura.

Antes de finalizar, preciso salientar algo que, como fãs, costumamos esquecer: um filme de adaptação, para ser considerado bom, deve funcionar como filme. Trocando em miúdos, qualquer pessoa que assista ao filme, mesmo que nunca tendo lido uma HQ na vida, precisa entender o enredo e acompanhar as sequências de ação sem dificuldades – o que não tem ocorrido muito ultimamente.

Para quem for aos cinemas, esperem as duas cenas pós créditos. Ouso dizer que são mais interessantes que a maior parte do filme em si.

Darei 2,5 dadinhos, pelo visual incrível do Venom e pelo humor bem dosado durante o longa.

Bianca Cardeal
Sobre Bianca Cardeal 18 Artigos
Médica Veterinária, entusiasta do projeto Zero Dawn, chefe do P&D da Capsule Corp e a única Luffana que tornou-se Griffana em toda a história de Hogwarts.

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