Apesar de nostálgico, ‘Jurassic World: Reino Ameçado’ não é cativante

Jurassic Park fez parte da infância de muita gente e, com o relançamento da trama, Jurassic World (2015), nos vemos contemplados mais uma vez, com ainda mais dinossauros na grande tela. Nesse novo filme da franquia, há o resgate dos personagens de Jeff Goldblum e BD Wong, homenagem em celebração aos 25 anos de uma das franquias mais populares do cinema. Assim, não era de se esperar haver menos dinossauros para este novo filme, muito menos economia nos efeitos especiais e artísticos – inclusive, um dos grandes pontos positivos da trama é justamente esse, a estética dos dinossauros ali representados e a proximidade do real, que ronda nosso imaginário.

No começo do filme, somos apresentados ao dilema que incide na sociedade sobre do destino dos dinossauros. Para introdução à apresentação do problema, o filme recai na quase extinção dos dinossauros, por um evento vulcânico na Ilha Nublar. Ativistas da causa “dinossaurica”, clamam por intervenção governamental para salvar os bichinhos, mas como se daria essa intervenção, acaba não sendo aprofundado no filme. No fim das contas, os governos recusam a intervir de alguma forma, sob a alegação de os dinossauros serem consequência de ações de instituições privadas.

Assim, cabe aos mocinhos a árdua atividade de resgatar animais tão dóceis e obedientes (really nigga?)! Mas, como nem tudo são flores, na realidade, a ideia central não é a de resgatar os dinossauros para transportá-los à um santuário, mas sim, vendê-los no mercado ilegal. Nessa parte da história, o que era confusão ganha um requinte extra de sangue, e vemos pessoas sendo mutiladas e/ou engolidas – atenção cardíacos, cenas fortes!.

Apesar de os dinossauros serem bem retratados em termos gráficos (este que é um dos grandes acertos do filme), o longa não explora os atores que possui, além da constante aplicação do recurso de closes nos personagens, principalmente nas cenas com uma certa carga de tensão, o que acaba se tornando, em demasia, desnecessários – chegando, até mesmo, a incomodar. Outro ponto que acabou desfavorecendo o filme, foi a forma de apresentação dos fatos e dos personagens, sendo eles concebidos de maneira superficial, sem atrair ou cativar o público para estes recortes – por exemplo, os fatos ocorrem freneticamente, seguidos sempre por muitas explosões e corre-corre, porém, nada de substancial (em si) acontece.

A execução dos fatos não segue a lógica de introdução à problemática, desenvolvimento e conclusão dos fatos. Por ser tudo muito corrido, cada bloco de informação segue inacabado ou mal explicado, incorrendo em cenas que podem ser vistas sem muita atenção.

Jurassic World: Reino Ameaçado, assim como os demais filmes da franquia, deve ser visto sem expectativas prévias, com a “mente aberta” para os erros que se seguem. Não é um filme de se dar muitas risadas nem, tão pouco, tomar sustos. É uma produção voltada para os mais diferentes gostos – para quem tem algum tipo de apego a franquia ou mesmo, para quem não tem apego nenhum ao tema.

Ficha-técnica

Dirigido por J.A. Bayona, Jurassic World: Reino Ameaçado é uma parceria com a Amblin Entertainment, e traz Steven Spielberg como produtor executivo, ao lado de Colin Trevorrow – responsável pela direção de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros. Além de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, Jeff Goldblum e BD Wong.

A estreia está marcada para 21 de junho, com pré-estreias a partir de 14 de junho nos cinemas.