Aquaman: A DC abraça o colorido e entrega um dos melhores filmes do seu universo.

Christopher Nolan deu novas diretrizes ao universo DC no cinemas. Depois de filme enfadonhos como, Batman e Robin de Joel Schumacher, Nolan trouxe ares mais realistas que casaram perfeitamente com a história que ele quis contar nas telonas. Depois de tamanho sucesso em paralelo à corrida das concorrências por seu lugar de destaque, a DC decidiu trabalhar o seu universo compartilhado a partir da premissa realista do cineasta – entre apostas altas (Mulher Maravilha ainda é o melhor filme da casa do Batman) e baixas (Liga da Justiça), a Warner/DC abraçou o “brega” e, finalmente, acertou em cheio.

Aquaman vai na contramão de tudo que foi proposto nos filmes anteriores da DC. Sai o tom lavado e sombrio, e entra o colorido. Sai o tom sério, e entra piadas e alívios cômicos que funcionam de verdade. O filme passeia entre momentos atuais e flashbacks que dão consistência ao personagem, criando uma verdadeira empatia pelo mesmo. Jason Momoa consegue dar uma fisicalidade e imponência ao personagem, apagando de vez a forma infantilizada do personagem apresentadas nas animações da Hanna-Barbera.

James Wan entrega uma direção sólida e, visualmente, impecável. É perceptível o CGI, porém as tomadas e cortes durante as cenas de ação faz o diretor ganhar novo status na Warner, e sendo um modelo a ser seguido. Cenas tiradas dos quadrinhos, sem falar na coragem de se utilizar o uniforme clássico do herói, foram pontos fortes que casaram muito bem com a estética utilizada durante todo o longa – você acredita na Atlântida, e basicamente, quer viver no mundo submarino!

Amber Heard consegue encontrar o tom certo da Mera, que segue claramente o perfil de construção trilhado também para a personagem Diana Prince de Gal Gadot, se apresentando como uma mulher dura na queda. O que incomoda um pouco são os momentos da personagem em tela junto à Momoa. O romance apresentado é algo quase forçado, que não parece natural. Quando os dois ficam juntos, é difícil acreditar que aquilo é de fato espontâneo.

Orm e Arraia Negra, vilões do filme, facilmente são cativados pela motivação, ainda mais em relação ao meio-irmão do protagonista, o qual demonstra ódio mortal pelo povo da superfície em detrimento dos longos anos de poluição do mar e, maltrato à criaturas marinhas – por um momento, você consegue torcer pelo antagonista e suas ideias incríveis.

Acertando mais do que nunca, Aquaman parece ser um novo norte para os filmes da DC. Com um banquete de referências à cultura pop, o filme do rei de Atlântida abre novos horizontes e mostra que, sim, é possível ter um filme divertido, colorido e um roteiro que, em sua maioria, consegue trabalhar bem os seus personagens principais e coadjuvantes. A Warner/DC respira aliviada… debaixo d’água.

Sobre Ronan Carvalho 109 Artigos
Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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