Atypical | Crítica

Sam Gardner (Kier Gilchrist) é um adolescente autista e protagonista desta série produzida pela Netflix que combina drama e comédia. Mas o que chama atenção é justamente uma série   deixado de lado o lugar comum e dar espaço a uma narrativa a partir da perspectiva de um personagem pouco comum em filmes e séries. Nesse sentido, a Netflix parece apostar mais na originalidade de seus conteúdos, oferecendo algo diferente para os assinantes do seu serviço. Lembrando que essa não é a primeira série “fora da caixinha”, onde temas polêmicos ou pouco explorados são abordados. Iniciativa importante; afinal, entretenimento não precisa se resumir numa completa e constante fuga da realidade.

Atypical faz um bom trabalho em contar a história em si, não só do jovem Sam e suas aventuras e descobertas típicas de um adolescente como outro qualquer. Sim, como outro qualquer! Por ser autista isso não quer dizer que Sam não possa levar uma vida comum, salvo algumas condições que o fazem ter algumas limitações –  principalmente no que tange a comunicação com o outro (um dos grandes desafios colocados a todos que o cercam: compreendê-lo!). Contudo, isso é abordado de forma bem elaborada e evitando clichês, ajudando a desmistificar a ideia que muitos de nós temos sobre o autismo. O núcleo familiar é bem construído e com densidade na história de cada um dos membros. Uma mãe superprotetora que abdica de si mesma para cuidar do filho e encontra-se em crise; um pai à procura de superar suas falhas no passado e se aproximar de Sam; por fim, uma irmã, também adolescente, que mesmo atravessando os seu conflitos, tem espaço para demonstrar sua preocupação e dedicação com o irmão.

 

Vale destacar a atuação de Nik Dodani, Zahid, melhor amigo de Sam e colega de trabalho. As cenas com Zahid são hilárias devido ao seu comportamento, que contrasta com o de Sam. Zahid é praticamente o conselheiro amoroso que, a seu modo, procura inserir o amigo no mundo das conquistas amorosas.

Atypical tem fluidez nos diálogos; é convincente e consegue prender a atenção do espectador.  A narrativa é enxuta e cabe nos seus 8 episódios sem atropelos. Tudo é muito bem dosado (sem pieguices), conseguindo passar muito bem sua mensagem. Atypical oferece um excelente exercício sobre colocar-se no lugar do outro.

 

Nota: 4 /5