Caixa de Passáros: Terror psicológico em forma de livro

A renovação do gênero de terror em suas diversas mídias se mostra cada vez mais assertiva. Um Lugar Silencioso, filme lançado esse ano, mostra um terror sensorial, que utiliza o silêncio como seu plot inicial, dando assim uma experiência única ao gênero no audiovisual. Na literatura, acabo de ter uma experiência semelhante, dessa vez sem o sentido da visão.

Caixa de Pássaros foi escrito por Josh Malerman, publicado em 2015 pela Editora Intrínseca. O livro conta a história de uma mulher, Malorie, que precisa encontrar uma maneira de se proteger e de proteger seus filhos em mundo pós-apocalíptico, onde a mais breve olhada, pode levar o ser humano a loucura.

Josh Malerman

O livro tem uma narração não linear. Vemos Malorie no momento em que decide sair da casa onde viveu por quatro anos com seus dois filhos. E, em outro momento, quando começou toda a histeria. A distopia é bem construída, dando requintes de terror psicológico. É claustrofóbico imaginar um mundo onde não se pode utilizar a visão, dada que é um dos sentidos essenciais para o ser humano. O título, A caixa de pássaros, é uma referência justamente a esse horror de ficar preso sem saber o que o ronda, sem nada mais que seus ouvidos para perceber o que está chegando. Uma gaiola onde a aflição e a agonia tomam conta.

Com um final coerente e que conversa com toda a trama do livro – mas que pode decepcionar alguns leitores -, Caixa de Pássaros é um terror que trabalha muito bem a veia do horror psicológico. Já tem uma adaptação confirmada pela Netflix, deixando esse que vos escreve bastante instigado a conferir a produção.

 

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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