Cansei de ser princesa!

A Princesa Leia, personagem querida por muitos, assume seu papel de líder dos rebeldes e parte rumo a novos desafios.

Em diversos momentos, em nossas mídias do TN, já tivemos oportunidade de falar da importância das representações femininas para o mundo de Star Wars; e falar de mulheres em SW é falar, também, da Princesa Leia Organa. Enfrentando caminhos sinuosos, face à época e percepções de mundo, a personagem ganhou gosto do público ao ser apresentada e mantida como uma princesa de garra, que (pasmem!) manuseia armas (OMG!).

Após destruição da Estrela da Morte e de seu planeta natal (Alderaan), Leia encara, fora dos cinemas, o entrave do trono sem povo, como uma figura pública ameaçada e perseguida pelo Império. Ao ver os poucos descendentes de Alderaan tomando novos caminhos e perdendo a identidade pertinente à terra materna, Leia quebra o protocolo de “ficar sentada esperando” e parte para uma missão política em companhia especial (não masculina) pelo universo. Tendo seu primeiro volume publicado neste ano, a HQ “Star Wars – Princesa Leia” foi apresentada de forma muito competente, dando profundidade à personagem para além de seu envolvimento no trio “Han-Luke-Leia” – se fossemos considerar o teste de Bechdel para a produção em quadrinhos, diríamos que, facilmente, a obra passaria pelos critérios de avaliação.

Destacando o protagonismo da Princesa, a HQ apresenta outras personagens que compõem o universo expandido, dando presença e relevância a essas mulheres (também mobilizadas pela reconciliação de seu povo). Nesse sentido, o papel diplomático cabe muito bem à herdeira Organa, fazendo valer a memória dos seus pais adotivos e recuperando o sentimento de “pertencimento a uma sociedade unida”.

Na trama, é evidente a presença do fantasma da culpa que acompanha a Princesa, devido a decisão assumida de “por um fim no Império”, mesmo sabendo que esta decisão lhe custaria a estabilidade de seu povo e a longevidade de sua terra natal. A todo momento, este episódio é relembrado através de diálogos e memórias da Princesa.

Star Wars sempre é mencionado pelo seu universo de produções e este material é, sem dúvidas, um claro exemplo de que se é possível desenvolver personagens para além das telonas de cinema. Esse fator é ainda mais importante devido a percepção de uma maior abertura para inserção desse tipo de material (com desenvolvimento de personagens femininos), ampliando, assim, os horizontes dos leitores e leitoras de plantão.

O quadrinho terá sequências mensais, que também contarão com outras histórias agregadas e dissociadas à personagem principal. Com preço bem em conta, esta é, com certeza, uma boa indicação de leitura!

Danielle Sodré
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Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões