Como Nossos Pais | Crítica

O filme conta a história de Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher de 38 anos, casada, mãe de duas filhas pré-adolescentes e funcionária de uma empresa de publicidade. A trama gira em torno do contexto familiar de Rosa, mostrando seu descontentamento no relacionamento com Dado (Paulo Vilhena), seu marido, e do relacionamento conflituoso entre Rosa e sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra).

Todas as pequenas discussões e desentendimentos presentes no primeiro ato são comuns à maioria das famílias. Entretanto, a revelação dramática (sob o calor de uma briga) de que o excêntrico Homero (Jorge Mautner) não é seu pai biológico tira Rosa dos eixos, afetando seus relacionamentos pessoais, familiares e seu desempenho no trabalho, iniciando o drama central da película.

Paralelamente, o filme mostra claramente o dilema de muitas mulheres, traduzindo muito bem na tela o “mito” da supermulher: Rosa tem que lidar com a casa, com as filhas, com o marido apático e egocêntrico que considera o andamento do relacionamento bom ou ruim baseando-se em relações sexuais (ou a falta delas), com a mãe ácida, com o pai sonhador e irresponsável, com a meia irmã e suas opiniões sobre sua vida, com o novo pai, com o chefe folgado que não dá os créditos por seu trabalho (que ela não gosta, diga-se de passagem) e por aí vai.

A diretora e roteirista Laís Bodanzky foi muito feliz na escolha do elenco. Os diálogos, além de muito bem escritos, foram bem traduzidos nas boas interpretações dos atores, onde destacam-se a protagonista Maria Ribeiro e sua mãe na tela, Clarisse Abujamra – aquela representação de mãe na qual você acredita na existência, com muitas cobranças, expectativas sobre os filhos e alguns (poucos rsrssrsr) momentos de ternura.

 

Esse é um filme bastante adulto e necessário, com a finalidade de chamar atenção pra sobrecarga física e emocional presente nas muitas chefes de família contemporâneas. Leva 3,5/5 dadinhos.

Bianca Cardeal
Sobre Bianca Cardeal 20 Artigos
Médica Veterinária, entusiasta do projeto Zero Dawn, chefe do P&D da Capsule Corp e a única Luffana que tornou-se Griffana em toda a história de Hogwarts.