Contos dos Orixás: Uma ode à cultura africana

Texto por Danielle Sodré e Ronan Carvalho

 

A cultura pop tem tantos temas abordados em suas obras, que fica difícil descrever todas. Nas HQs não seria diferente. Desde deuses nórdicos, a temas mais pessoais, as histórias em quadrinhos têm o poder de, além de contar uma estória, apresentar mundos e culturas diferentes ao leitor.

 

“Contos dos Orixás” foi roteirizado e desenhado por Hugo Canuto, quadrinista baiano, que narra um conto entorno da mitologia dos povos Iorubá, tradicional civilização da África Ocidental – hoje, território que compreende a Nigéria. A HQ é um verdadeiro deleite à cultura africana, sob a perspectiva da representação dos Orixás como super heróis.

 

Os Orixás fazem parte da cultura de matriz africana, se fazendo presentes nas religiões como Candomblé e Umbanda, de expressivos adeptos, em especial da Bahia, na figura de deuses que possuem ligação direta com a natureza e seus elementos, com as quais delinearam muitas de nossas características, presentes nos costumes, culinária, musicalidade, dentre outros.

 

O projeto lançado pelo Hugo Canuto, que teve financiamento pelo Catarse, superou as expectativas da campanha, chegando a 757% da meta inicial de 20 mil reais. A iniciativa que começou com uma séries de cartazes inspirados nas capas de Jack Kirby (anos 70), e devido ao sucesso, evoluiu para uma graphic novel de fácil repercussão a nível nacional. Hoje, o autor tem participado dos mais variados eventos, levando a produção baiana para todos os cantos do país.

Roteirista/Desenhista, Hugo Canuto

 

Na trama, a Cidade Mãe é abalada com o ataque de Ajantala e seus seguidores e, ao receber o chamado de ajuda, Xangô o aceita e leva consigo Oyá e Exú para o confronto. Com um roteiro que flui entre ação, suspense, e um pouco de comédia, ‘Contos dos Orixás’ é carregado de simbolismo da cultura Iorubá, o conto se preocupa na construção/representação dos deuses, possibilitando, enquanto forma de acesso, o despertar à curiosidade em torno de uma mitologia que se distingue da nórdica – que tanto se faz presente (intrusa) em nossa formação cultural.

 

Para além da construção narrativa, o quadrinho acerta na parte visual, com páginas cheias e de desenhos que saltam aos olhos. Canuto, que tem formação em arquitetura, construiu um mundo palatável e altamente crível, de traço marcante e particular.

 

Ao fim da história principal, os extras mostram boa parte do processo de criação, esboço e desenhos finalizados da hq, o que enriquece mais o seu valor, tendo Hugo Canuto se preocupado em utilizar, de forma mais que respeitosa, a cultura africana para retratar uma história. Nesse sentido, é importante lembrar que, como toda obra de ficção, O Conto dos Orixás não assume o compromisso de assumir um seguimento religioso e/ou cultural, mas sim, fazer uso de uma compilação de elementos de estudos que configuraram em um material singular.

 

Em tempos em que o tema representatividade na cultura pop está em voga, “Contos dos Orixás” surge como uma verdadeira ode às religiões de matrizes africanas, sendo possível, visualizar através dele, uma possibilidade de se discutir as produções publicadas, em especial a atenção à outras culturas que não originalmente compõem a nossa estrutura social de organização.

Ajayô!

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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