‘Coringa’ é um filme único e surpreendente

Completando 80 anos de sua criação e com uma legião de fãs, o Batman, é sem dúvidas um dos maiores super heróis existente no universo dos quadrinhos. Nessa jornada, o homem morcego acumulou inúmeros vilões em diferentes épocas, entretanto, é impossível não falar em um dos seus, e por quê não principal, Coringa.

 

Joker, ou Coringa, de 2019, se mostra como um filme único, sem direito a demais comparações do gênero, respondendo como uma grata renovação em termos de produção cinematográfica.

 

Dirigido por Todd Phillips (Se Beber Não Case), o filme é ambientado na década de 70 e início da de 80 e conta a história de Arthur Fleck, palhaço que viria a se tornar o mais icônico vilão dos quadrinhos. Entretanto, mais do que dar uma identidade, ‘Coringa’ dá profundidade ao icônico vilão, sem justificar a violência e nem o humanizar o personagem. Você entende as motivações, mas nunca as aplaude, o que foi uma sábia estratégia utilizada pelo diretor.

 

 

Outro acerto é o período que se passa o filme, que faz com que qualquer vinculação com heróis do universo DC seja descartada. Coringa se sustenta por si só, e carrega uma identidade própria, com diversas referências do cinema: Taxi Driver, O rei da Comédia, Laranja Mecânica, por exemplo.

 

Porém, o ponto alto do filme está em seu protagonista. Joaquin Phoenix entrega um Arthur Fleck/Coringa que ficará na história do cinema. Além da risada, decorrente de um transtorno do personagem, a fisicalidade e dedicação empregada pelo ator à criação do personagem é impressionante. E a transformação de Fleck para Coringa é vista claramente: sua postura – antes quase corcunda – dá lugar a um andar ereto e confiante. Os diálogos mostram total entrega do ator, e do roteiro, assinado também por Phillips. É complicado comparar a atuação de Heath Ledger que, pra mim, ainda continua como melhor ator a interpretar o personagem contudo, acredito que as duas produções devem ser compreendidas como (ser) duas versões diferentes, ao passo que se equiparam (que as equipara) a um mesmo patamar de qualidade.

 

Com uma fotografia que mostra uma Gothan suja, enclausuradora, que levaria qualquer uma loucura, Coringa se apresenta como uma nova (velha) aposta do cinema baseado em quadrinhos. Como um filme único e fechado, o filme tem sua identidade e seu público a atingir, dando sinais de respiros ao gênero, com constantes piadas e quebra do tom dramático. É uma obra singular, que deve agradar aos fãs de quadrinhos e ou não. Vale a pena o ingresso.

 

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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