Crítica | Dona Flor e seus dois maridos

Comunidade

Por Larissa Barcelar

Você com certeza já ouviu falar por aí sobre a obra que deu origem ao remake que vem nos agraciar com sua estreia – comicamente, o filme entrará em cartaz no dia 02 de novembro (Dia de Finados). O livro escrito por Jorge Amado foi lançado em meados de 1965, obteve popularidade quase instantânea e é uma obra “repleta de cotidianidade brasileira, densa de sensualidade e escrita sem pompa e circunstância”, como diz o trecho do posfácio escrito por Roberto DaMatta. Juliana Paes vive Florípedes (Dona Flor), uma mulher atormentada pelas aparições do seu finado primeiro marido Vadinho (Marcelo Faria) enquanto tenta viver o seu segundo casamento com Teorodo (Leandro Hassum).

Vadinho foi um companheiro vagabundo de profissão: tomado pelos vícios de jogos e sexo, bagunçava a vida de Dona Flor, mas era grande entendedor da arte da fornicação. Já Teodoro é um farmacêutico metódico, cuidadoso e marido exemplar, mas que deixa muito a desejar quando o assunto é a satisfação da parceira nas relações.

Este remake dirigido por Pedro Vasconcelos usa bem a narrativa do livro, trazendo o tom da obra original para as telas. Os abusos dos extremos caricatos dos dois maridos são postos em cada detalhe: trilha, planos, cortes… tudo conversa com a figura que está em destaque naquele momento da atriz principal. E a melhor parte é a aproximação que nós criamos com Dona Flor enquanto personagem. Ela é tal qual no livro: uma figura que tem em si o puritano e o despudorado ao mesmo tempo. Afinal, que tipo de pessoa é uma coisa só a todo o tempo?

Agora vou passar uma informação reveladora: tem nu. Tem MUITO nu, tem relações na sua cara e, óbvio, Vadinho vai andar despido por aí como sempre foi na obra e não espere uma romantização do ato: é muito sensual e denso.

O filme, na minha humilde opinião, superou o de 76, se aproximando da obra e capturando nossa atenção com o caricato, o abusado e o excessivo. Sônia Braga e José Wilker que me perdoem, mas comparada com a interação entre Juliana Paes e Marcelo Faria, eles parecem dois desentupidores de pia desajeitados. Desta vez você passa a entender mais por que Dona Flor chamou tanto o finado.

Eu arrisco 5/5 dadinhos, e nem venha dizer que ter nu e sexo são motivos para reduzir essa nota: Jorginho é isso aí.