Crítica | Jumanji: Bem-vindo a Selva

Em lembranças da infância, é fácil ter em mente filmes que marcaram a época da Sessão da Tarde; Lagoa Azul, Garotos Perdidos, Goonies e tantos outros. Jumanji está entre eles. O filme de 1995, estrelado por Robin William é uma das obras que aquecem o coração de nostalgia da geração dos anos 90. Quando anunciaram o reboot/remake/continuação do filme, fiquei com o pé atrás. Felizmente, fui surpreendido.

Quatro adolescentes decidem ligar e usar um videogame antigo, cuja ação do game se passa numa floresta. Cada um escolhe seu avatar para a jogatina, mas um evento inesperado faz com que os jogadores sejam sugados para dentro do universo “fictício” de Jumanji, transformando-se nos respectivos avatars escolhidos.

A apresentação dos jovens não foge do clichê: o nerd, o atleta, a patricinha e a deslocada – o que nos remete diretamente ao clássico O Clube do Cinco, mas a personalidade de cada um não é o foco do enredo, mas sim o gameplay do modesto cartucho de Jumanji. A trama do filme é bastante assertiva no que diz respeito a atualização do jogo de tabuleiro para um game eletrônico, dando um gás para a premissa, modernizando o tema, e atraindo público mais jovial.

O elenco principal trabalha a trama; “The Rock” é bastante carismático, dando humor na dose certa ao Dr. Bravestone. Sua química com Kevin Hart, com quem já trabalhou anteriormente, dá à dupla um protagonismo justo e moderado. Jack Black é o mais à vontade em cena; o ator, com seu jeito afetado e suas mais variadas expressões faciais, mostra uma ótima interpretação de uma mulher “presa” no corpo de um homem. Karen Gillan é que parece ter o arco mais raso e menos explorado, mas, ainda assim, dá uma cutucada sobre a falta de vestimenta feminina nos jogos eletrônicos e possui diálogos socialmente importantes com Jack Black/Bethany.

 

O Jumanji de 2017 traz uma boa carga de humor e deve agradar aos fãs do longa de 1995, ainda mais com referências sutis e super válidas ao seu antecessor. Apesar do vilão meia boca (típico de games retrô), a trama é coesa e bem linkada com o filme anterior, com um desfecho interessante e diferente do que o expectador é levado a esperar. Não é um filme marcante e provavelmente não se transformará num clássico, mas te fará dar boas risadas e aquecerá seu lado nostálgico.

Sobre Ronan Carvalho 95 Artigos
Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen