Crítica | Liga da Justiça

Depois de ser surrado pela crítica e dividir a opinião entre fãs, o controverso Batman vs Superman: A origem da Justiça, levantou suspeitas sobre o futuro cinematográfico da DC. O fiasco Esquadrão Suicida só alimentou ainda mais a polêmica e a desconfiança de que a Warner estava sem rumo, completamente perdida. Em seguida, declarações de representantes da companhia sinalizavam que mudanças estavam a caminho. Os meses se passaram e 2017 chegou; a expectativa em torno do filme solo da Mulher-Maravilha (quarto filme do DCU) era grande, pois se o filme fosse um fracasso, poderia ser o cravo que faltava para fechar o caixão.

Mulher-Maravilha estreou e surpreendeu: foi bem recebido e muito bem avaliado. Nele, é possível perceber a mudança de tom no universo incialmente imaginado por Zack Snyder, desde Man of Steel, sendo menos obscuro, mais leve, carregado de heroísmo e identidade.

Seguindo na esteira de Mulher-Maravilha, Liga da Justiça chega aos cinemas carregado de polêmicas de bastidores que a imprensa divulgava quanto as mudanças na concepção do longa. O primeiro filme a reunir os heróis do DCU nos cinemas também se abre para um clima mais ameno, com humor e mais voltado para a aventura. Evidentemente, o longa não consegue alcançar o mesmo nível que o filme solo da Amazona, mas não chega a decepcionar.

É um filme mais contido e menos megalomaníaco que BvS, sem querer alçar um voo muito alto e não conseguir dar conta do prometido. Isso fica evidente num roteiro menos complexo e mais enxuto, abrindo mão de fazer grandes discussões sobre a figura do super herói – com certeza resultado das críticas negativas do Despertar da Justiça. Contudo, é importante frisar que isso não é um demérito, mas uma opção para conseguir as condições para introduzir novos personagens e dar a fluidez necessária para isso.

Portanto, não é um exagero afirmar que o ponto forte de Liga da Justiça fica por conta dos personagens. Batman (Ben Affleck) arrependido, menos cruel e mais heróico, é o responsável por organizar o super grupo. Para ajudá-lo nessa tarefa, ele contará com o apoio de Diane Prince (Gal Galdot). Os dois personagens possuem uma dinâmica interessante e são as figuras experientes que irão recrutar os membros para a Liga. O primeiro arco do filme é basicamente dedicado a apresentação do Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Ciborgue (Roy Fisher). O destaque fica para o Barry Allen, que possui uma história mais interessante e funciona muito bem como alívio cômico. O personagem é bastante carismático e representa bem essa mudança de tom prometida. Aquaman é Jason Momoa, não o contrário. Infelizmente sobra para o Ciborgue a ponta mais fraca, tanto pela atuação quanto pela sua história.

A essa altura você já deve estar se perguntando “e o Superman?”. Seu retorno não era nenhum segredo e até uma obviedade, tanto que não chega a causar  impacto. Por outro lado, penso que seu renascimento tem um valor simbólico, selando essa nova etapa no DCU. A própria atuação de Henry Cavill é bem diferente do que vimos em MoS e BvS: finalmente ele entrega o Superman que muitos aguardavam.

Feito isso, os heróis partem para a missão de conter uma ameaça global, o Stepenwolf. Vilão bem genérico, sem muito desenvolvimento, com um texto fraco e pouco convincente. O CGI só complica todo o personagem. Contudo, a essa altura, eu suspeito que muitos já estarão contagiados pela sinergia dos personagens. Isso não chega a ser um problema, mesmo acumulando alguns erros técnicos parecidos com BvS. É um filme divertido e que, em alguma medida, buscou se reconciliar com fãs decepcionados com os rumos que a Warner vinha tomando.

Há pontos positivos além dos personagens, e o destaque vai para a trilha sonora de Danny Elfman, que presta homenagem a temas consagrados que servem para estimular a nostalgia nos fãs.

Por fim, eu acredito que todos que estiveram torcendo para que o DCU encontrasse seu caminho podem respirar aliviados. Ainda não é o filme que queremos, mas Mulher-Maravilha e Liga da Justiça, juntos, deram um passo importante para o futuro das produções da Warner/DC no cinema.