Death Note | Crítica

Há algum tempo que Hollywood tem vivido exclusivamente de adaptações e releituras. De quadrinhos a livros infanto-juvenis, parece não haver fim na busca por tais fontes. Eis que, seguindo a tendência das adaptações Marvel/DC, a Netflix resolveu adaptar a história de um dos mais aclamados mangás/animes: Death Note. A obra original, que tem como plots principais dilemas como mortalidade, justiça e livre arbítrio, parece não ter inspirado a obra do serviço de streaming.

Somos apresentados a Light Turner, um estudante que encontra um caderno, no qual qualquer pessoa cujo nome for escrito estará fadada à morte. O jovem decide, então, fazer justiça segundo seus conceitos e princípios, “limpando” o mundo dos criminosos; ao seu lado, encontra-se Ryuk, um deus da morte.

Tirando os nomes dos personagens, nada é aproveitado do material original: os dilemas são TODOS colocados de lado. Light não sente o menor remorso ao realizar os assassinatos e começa a ver nisso uma possibilidade de vingança pessoal contra o assassino de sua mãe. Mia, que tem uma sede de limpeza do mundo, parece mais com a versão de Light nos mangás que o próprio Kira da adaptação da Netflix. É muito difícil sentir empatia por qualquer um dos protagonistas.

Se analisarmos a obra como um filme isolado, desconsiderando o fato de ser uma versão, o resultado é ainda pior: o filme não sabe encontrar o seu tom. No início, o longa se mostra como um horror explícito, apresentando mortes que parecem saídas da imaginação sangrenta de Tarantino. No momento seguinte, o filme aparenta uma comédia besteirol, destoando totalmente do possível objetivo inicial. Em outro momento, aparece um clima high school, com direito a cena debaixo de chuva e o famoso “I love you!”.

Os atores (de longe!) não são o problema. Toda polêmica pela escolha de Keith Stanfield (L) cai por terra, devido à condução do personagem mostrada no filme. Nat Wolff e Shea Whigham demonstram total falta de química, e você não compra o romance dos dois. Willem Dafoe, que empresta a voz ao Ryuk, é o melhor do elenco (apesar do design do shinigami parecer meio tosco) – o ator imprimiu bem o sarcasmo e o humor do deus da morte.

Com uma continuação prevista, Death Note entretém, mas está longe de ser um filme memorável, deixando os fãs do material original sedentos por um caderno (qual seria o nome escrito neste caderno?).

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen