Jogo Perigoso | Crítica

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Por Ronan Carvalho

2017 é o ano de Stephen King. Não lembro da última vez em que o autor esteve tão em evidência com adaptações de suas obras para o cinema e TV. Desde grandes sucessos de público e crítica (It: A coisa) e outros nem tanto (Torre Negra e O Nevoeiro), o mestre do suspense é trazido para um público acostumado ao gênero de heróis.

Menos badalado do que os filmes citados acima, Jogo Perigoso (Gerald’s Game) entra para o hall de melhores adaptações literárias de King. a história do filme gira em torno de Gerald e Jessie, um casal de meia idade em crise. Para tentar salvar seu casamento, eles vão para sua casa de verão. Sozinhos, a fim de curtir alguns momentos românticos, passam a fazer alguns jogos adultos. Após um incidente, Jessie fica sozinha e algemada à cama.

O filme tinha tudo para ser algo massante, chato e sob a perspectiva de sobrevivência da protagonista. Mas o produto final é um filme que, pouco a pouco, nos apresenta temas muito atuais, ainda que baseado numa obra de 1992. Machismo, submissão no casamento e traumas são alguns dos temas apresentados. Carla Gurgino carrega o filme de forma magistral, mostrando intensidade de atuação, com diálogos intensos e bastante relevantes. Bruce Greenwood demonstra uma atuação crível, que vai de uma faceta amável a uma de extremo machismo e sexismo.

Jogo Perigoso entrega uma das melhores adaptações de Stephen King, mesmo que discretamente, com um terceiro ato que flerta com o terror típico do escritor. Uma pena passar despercebido em meio a tantas adaptações, mas quem assistir terá um deleite do mais puro King’s Style.

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Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell’s Kitchen