Lugar de mulher é na resistência

Os parabéns são pela assistência, não pela história.

Mulheres do mundo inteiro estão na base da construção das sociedades, nos seus avanços e revoluções. Ainda assim, nos outros 364 dias do ano, a figura feminina continua sendo interpretada (pelos olhos de outrem) como mantenedora do bem-estar familiar. Estendo meu conceito de “familiar” para além do ambiente do lar, mas, familiar, com alcance às demais relações que esta figura se faça (seja permitida) existir.

 

Em casa, no trabalho, em grupos de amigos, é essa a figura (construída como) protetora quem assiste, dá suporte e, por isso, elogia-se, parabeniza-se e se enfatiza: “nossa! Eu não seria nada sem você(s)!”, mas que jamais essa figura possa cogitar estar em mesmo lugar, pois “não tem nada a ver uma coisa com a outra”; “não é bem assim”; “você me entendeu mal”.

 

Os vários estopins que alavancaram a pauta das mulheres pelas mulheres e que, enfim culminaram na data simbólica de 08 de março, vieram da base, das trabalhadoras de chão de fábrica, daquelas tantas que dedicavam-se ao conhecimento e ciência, mas daquelas que sentiam a necessidade de mudança social, não apenas em atendimento à uma demanda pessoal, mas com alcance ao coletivo – porque se tem que ser bom pra mim, tem que ser bom pra todas e todos!

 

Esses vários movimentos ganharam atenção – incomodaram uns e outros – mas também foram retratos de inspirações para outras mulheres, sejam elas jovens, de outros grupos e classes, diferentes etnias etc. Muitas dessas histórias foram retratadas através de produções da cultura pop, como os quadrinhos, que eram rechaçados por serem considerados transgressores (muitas hqs da Mulher Maravilha foram tiradas de circulação, entre os anos 50 e 70) e, também através do cinema, este último, mais tardiamente.

 

Ainda assim, as diferentes formas de opressão que expõem as mulheres são vividas dias após dias, naturalizadas e execradas, sejam elas naturalizadas através de músicas de balada e carnaval, seja no ambiente (qualquer) que existir mulher.

 

Muitas já morreram, outras tantas continuam a morrer, abusadas, negligenciadas, caladas… Assim, mais do que nunca, o dia 08 de março deve vir a reforçar a vontade de resistir pelo direito à igualdade, voz e espaços, em uma sociedade tão marcada pela diferença de classes.

Danielle Sodré

Danielle Sodré

Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões

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