Mangá: muito mais que um quadrinho japonês

Depois de ouvir muito a frase “não gosto de mangá”, resolvi fazer uma pesquisa rápida para tentar entender o porquê de tanta repulsa em relação às HQs nipônicas. Dentre as mais variadas respostas, as mais freqüentes foram: não gostar da arte em preto e branco, o alto custo final das publicações, não gostar da diagramação/sentido de leitura oriental e não gostar do “gênero mangá”. Mas, espera aí, como assim “gênero mangá”? Ao receber essa afirmação, percebi imediatamente uma das origens do meu questionamento inicial: desinformação. Pois bem, vamos conversar um pouquinho sobre mangás, tentando desconstruir alguns conceitos e, quem sabe, permitir que vocês, leitores, dêem uma (segunda?) chance ao formato. Vamos lá!

Primeiramente, fora Temer! tenhamos em mente que a palavra mangá é comumente usada pelos japoneses para caracterizar todo tipo de histórias em quadrinhos, não importando sua origem geográfica. Sendo assim, mangás podem ter diversas artes, conteúdos, gêneros e classificações, que serão brevemente descritos posteriormente. Com relação à arte em preto e branco, vale ressaltar que é uma característica marcante das publicações nipônicas, sendo que algumas publicações ganham algumas páginas especiais coloridas. Também existem títulos com todas as páginas coloridas!

O sentido oriental de leitura (da direita para a esquerda, de cima para baixo), de fato, causa estranheza nos primeiros momentos, mas a leitura tornar-se-á mais dinâmica na medida em que se aumenta o contato com a literatura oriental. Não discutirei nesta resenha os custos e valores dos diversos tipos de encadernações atuais, pois muitos fatores estão envolvidos, tais como licenças, direitos autorais, impressão (tipo e gramatura dos papéis internos e externos, tinta etc.), distribuição e por aí vai.

Assim como as diversas obras literárias espalhadas pelo mundo, os mangás japoneses possuem públicos alvo. No Japão, é comum ocorrer uma classificação mista em suas categorias (jovens do sexo masculino, adultos do sexo feminino etc.), mas nada impede que pessoas fora do público alvo apreciem as obras (as editoras agradecem, é claro). Ainda que não saibam, muitas pessoas já tiveram contato com vários tipos de publicação ou suas respectivas animações. Para facilitar o entendimento dessas categorias, enumerei algumas das mais conhecidas:

Kodomo: Histórias com enredo simples, geralmente no gênero comédia e em arcos curtos ou arcos únicos (one-shot). Tem como público alvo as crianças pequenas (ambos os sexos), sendo, então, o motivo da simplicidade das tramas. Exemplos: Doraemon, Totoro etc.

Shounen: Esta é a categoria mais exportada e, consequentemente, mais conhecida; em sua maioria, são histórias com muita ação, aventura, magia, comédia, esportes etc. Tem como público alvo jovens do sexo masculino (12 a 18 anos). Exemplos: Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Naruto, Bleach, One Piece, Yu-Gi-Oh, Yu Yu Hakusho, Hunter x Hunter e muitos outros famosos (passaria o dia listando exemplos!).

Shoujo: O shoujo, possivelmente, é a segunda categoria mais conhecida fora do Japão. Possui como público alvo jovens do sexo feminino (12 a 18 anos) e, assim como no shounen, são histórias carregadas de aventura e comédia, com ou sem poderes místicos, mas com um extra em relação ao shounen: o romance. Exemplos: Sakura Card Captor, Sailor Moon, Fruits Basket, Nana, Boys Over Flowers, Kaicho wa Maid-sama! Etc.

Seinen: Eis uma categoria que costuma causar confusões entre tutores e seus filhos. O seinen tem como público alvo os adultos jovens (18 a 40 anos) do sexo masculino, pois costumam apresentar conteúdos com maior teor de violência, sexo, drogas e outros temas inadequados para o público infantil. Os personagens das tramas podem estar em idade escolar, fato que contribui para a confusão dos tutores tupiniquins, que tem o costume de entender a fase escolar dos personagens como faixa etária adequada para o leitor (grande engano!). Exemplos: Gantz, Akira, Éden, Lobo Solitário, Ghost in the Shell, Vagabond, Blade – A Lâmina do Imortal, Berserk, Hellsing etc.

Josei: Categoria voltada para mulheres (18 a 40 anos), contando com enredos focados no cotidiano feminino (lembrar que estamos falando de cultura japonesa!), com arte mais sóbria que as encontradas nos shoujo. É a categoria menos publicada aqui no Brasil, mas conta com alguns títulos conhecidos por aqui: Paradise Kiss, Hotaru no Hikari, Nodame Cantabile, Honey and Clover etc.

Ecchi: Categoria que abrange as obras que possuem erotismo em cena (roupas curtas, pessoas seminuas – geralmente minimalistas etc). O gênero comédia é o mais utilizado nos mangás ecchi. Exemplos: High School of the Dead, Ikkitousen, Love Hina, Video Girl Ai, Tenjo Tenge etc.

Yaoi: O yaoi é uma categoria muito querida pelo público feminino (público alvo no Japão), com fãs muito fiéis aos autores. Neste tipo, as histórias mostram romance e/ou sexo entre protagonistas do sexo masculino, sendo comum a presença de traços delicados e personagens afeminados. Os mangás yaoi costumam ser dramas ou comédias, com classificação etária, normalmente, +16. Exemplos: Gravitation, Loveless, Boku no Pico, Maiden Rose (Hyakujitsu no Bara), Sex Pistols, Junjou Romantica etc.

Yuri: Categoria que mostra o romance e/ou entre protagonistas do sexo feminino, com público alvo masculino (erotismo acentuado) e feminino (romance predominante) para a terra do sol nascente, conquistando os leitores brazukas. As protagonistas dos yuri costumam fugir do estereótipo da garota frágil (#porfavormesalve), com personagens fortes, determinadas e sexualmente dominantes. Exemplos: Citrus, Sakura Trick, Strawberry Panic! Yuri Kuma Arashi etc.

Hentai ou Seijin: Classificação de mangás adultos, envolvendo, principalmente, sexo explícito. O gênero dos hentai é muito variado, indo desde a comédia até o terror (e as paródias de histórias famosas de outras categorias). Exemplos: Bible Black, Love Junkies etc.

Existem outras categorias e subcategorias dos mangás japoneses, mas creio que esse breve resumo já sirva de guia para os nossos leitores. Escolha uma ou mais categorias e mergulhe neste incrível universo dos quadrinhos japoneses. Boa leitura e até a próxima! =^.^=

Bianca Cardeal
Sobre Bianca Cardeal 18 Artigos
Médica Veterinária, entusiasta do projeto Zero Dawn, chefe do P&D da Capsule Corp e a única Luffana que tornou-se Griffana em toda a história de Hogwarts.