Mulheres do Deserto – uma viagem pelo deserto e pela sobrevivência

Já faz um tempinho que as mulheres têm conquistado mais espaço em todas as áreas em que desejam atuar. Seja no cinema, nas artes, na ciência e, por que não, no deserto? Todo lugar é lugar da mulher. Nesse contexto, trago para vocês a resenha do livro Mulheres do Deserto, livro encantador que é fruto de anos de árdua pesquisa de Alice Hoffman.

Mulheres do Deserto nos conta a bela história de quatro mulheres muito diferentes, mas unidas por um mesmo propósito: a sobrevivência. A história se passa por volta de 70 D.C., época em que os judeus foram atacados pelo império romano e inúmeras regiões foram destruídas. A primeira personagem que conhecemos é Yael, uma mulher rejeitada pelo pai e que se vê tendo que fugir com ele pelo deserto para garantir sua própria sobrevivência. Somando sua bagagem psicológica, Yael não se vê pertencente ao mundo que a cerca e demonstra logo de início sua afinidade pela magia. Ao longo de sua caminhada, ela é marcada pelo sofrimento do deserto e que deposita em si mesma sua própria salvação.

No refúgio, ela conhece as demais mulheres, igualmente marcadas pelo deserto: Revka, Aziza e Shirah. A jornada de Revka também é emocionante. Durante uma investida das tropas romanas, Revka tem sua única filha brutalmente assassinada em sua frente – fato que desencadeia várias consequências na família e, posteriormente, no grupo.

Escritora, Alice Hoffman

As outras duas personagens apresentadas, Shirah e Aziza, são mãe e filha, mas em nada se parecem. Ao acompanhar a história de Aziza, vemos um contraponto entre ela e sua mãe e o quanto ela se identifica com os “assuntos dos homens”. Já Shirah é protagonista de inúmeras histórias contadas pelas mulheres do local, por ser uma mulher dedicada aos encantamentos e a magia. Todas temem seu conhecimento, ficando excluída do grupo pelas demais mulheres. A prática da magia é repudiada pela religião e lei locais, mas Shirah é a primeira a ser procurada pelas demais mulheres quando preciso.

É interessante ver a construção de cada personagem, apesar da demora  no desenvolvimento da história e no excesso de detalhes colocados na trama. Para apimentar a história, para cada uma dessas mulheres, somos apresentados a um antagonista, que vai desde um fantasma ciumento de uma mulher morta a um fantasma de uma mulher viva (deixo aqui uma incógnita para instiga-l@ à leitura). Ao redor dessas mulheres, tudo se transforma e o mundo que conhecem se destrói. Unidas pela sobrevivência e munidas de todos os sentimentos que se possa imaginar, o que essas mulheres passaram é uma fantástica história para se ler e reler.

Mulheres do deserto, de Alice Hoffman, 475 páginas, publicado em 2013 pela editora Planeta.