Newness e as relações modernas

Com o advento da tecnologia, temos uma constante mudança em nossos comportamentos sociais e, consequentemente, nos relacionamentos com o outro. Mas, essa evolução tecnológica tem sido de fato benéfica? Newness, filme presente no catálogo da Netflix, mostra um pouco dessas relações modernas.

Somos apresentados à Gabi e Martin. Jovens, (socialmente) bonitos que se conheceram por meio de um  aplicativo de encontro, e logo, já se encontravam plenamente envolvidos. A medida que a trama vai avançando, percebemos que Newness nos dá um retrato bem próximo sobre como se configuram as relações atuais.

A forma de apresentação do casal é o típico clichê: encontro, química, e, do nada, se vêem apaixonados e iniciando uma vida à dois. E tudo é maravilhoso… por um tempo. Daí então, o aprofundamento da relação vem, e se percebe que nem tudo está pautado em dias felizes…

Esse recorte é um pouco do reflexo de como as relações interpessoais estão estruturadas. Em se tratando dos relacionamentos conjugais, o não aprofundamento das relações de convivência com o outro, muitas vezes se apresentam como indiferentes, reduzindo a duração de uma história, como meros encontros e nada mais – “por que entrar nos problemas dos outros, se já temos os nossos problemas para lidar?” – o que acaba acontecendo é que, na verdade, iniciamos um relacionamento sério com outrem, vislumbrando apenas a “superfície” da outra pessoa.

Como o sociólogo polonês Zigmunt Bauman descreve, vivemos numa época de amores líquidos, concebendo o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometam ainda mais satisfação; onde não se aprofunda em nada, e se é descartado no primeiro sinal de turbulência –  afinal, seria mais fácil trabalhar com a ideia de que há tantas “opções” de pessoas por aí, e a vida é considerada curta demais para se apegar a uma única. Ou quando decidimos ficar, caímos na rotina, que vai muito além de sexo em dia e hora marcada da semana.

Mas as coisas precisam se acalmar um momento, né? Ninguém consegue viver em constante correria (eu acho).

Dentro disso, Newness nos dá um frescor, nos mostrando a partir de diversos pontos que, as relações mais profundas ainda podem ser estabelecidas e, também, encontradas. Porém, a forma que estamos estabelecendo os relacionamentos – se aprofundando cada vez menos nas pessoas, me deixa um pouco temeroso quanto ao futuro das relações interpessoais. Espero estar errado quanto a isso…

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Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen