O Destino de Uma Nação | Crítica

O Destino de uma Nação (Darkest Hour) trata de um momento decisivo para o Império Britânico durante a Segunda Guerra: resistir ao avanço das tropas nazistas ou firmar um acordo de paz. É nesse contexto que uma figura controversa e pouco estimada entra em cena, a fim de assumir o cargo de Primeiro-ministro, buscando uma saída para a situação. Seu nome é Winston Churchill.

Antes de tornar-se Primeiro-Ministro, Churchill estava praticamente isolado dentro do seu partido, acumulando um desgaste na sua imagem. Além disso, sua desastrosa campanha militar durante a Primeira Guerra – que rendeu a perda de milhares de soldados – era uma chaga que sempre o acompanharia, sendo, então, a principal razão para a desconfiança dos membros do Parlamento e da Coroa se ele seria o melhor nome para assumir o comando no momento crítico em que o país se encontrava.

Basicamente, o filme trabalha em cima destes episódios da vida do estadista, tanto na busca da confiança da classe política e da opinião pública, quanto no objetivo de garantir que seu país pudesse encontrar uma saída para a ameaça nazista.

Tecnicamente, o filme é muito bem executado. Da direção (Joe Wright) à fotografia, tudo se encaixa perfeitamente e de maneira criativa, principalmente em localizar temporalmente o espectador. A direção de fotografia é de Bruno Delbonnel e está em perfeita harmonia com toda a atmosfera do filme, que consegue transmitir a austeridade dos ambientes por onde os personagens transitam, seja no palácio ou no Parlamento. O roteiro leva a assinatura de Anthony McCarten (A Teoria de Tudo, 2014); apesar de consistente, o enredo falha em um determinado momento, que, apesar de compreensível e com função dentro da narrativa, proporciona uma quebra no tom.

Em filmes do gênero, é comum romantizar as personagens e os eventos; evidentemente, isso é uma opção de roteiro, mas, em alguns momentos, a figura do Churchill parece ser de poucos contrastes – no mínimo, um sujeito excêntrico, por conta de seus hábitos e rabugentice. É uma forma simplista de abordar uma personalidade bastante controversa; contudo, fica claro que a proposta não era abordar os detalhes sobre a figura histórica do Churchill, mas seria interessante provocar sentimentos conflitantes no espectador com relação ao protagonista.

Apesar de tudo o que já foi dito até aqui, a grande força deste filme está em quem dá vida ao protagonista: Gary Oldman. Ele está incrível na sua interpretação e é inegável a sua dedicação em estudar a personalidade do Churchill, nos entregando uma atuação verossímil, rica em detalhes corporais e comportamentais do estadista. Além de seu excelente trabalho, a equipe responsável pela maquiagem merece muitos elogios, visto que deixaram Gary Oldman fisicamente muito próximo ao Churchill da vida real, mas sem exageros.

Por fim, O Destino de Uma Nação é uma boa opção para quem pretende ir ao cinema neste primeiro mês de 2018. São duas horas de projeção de um filme tecnicamente bem executado, que agrada pelas atuações e pela estética visual.