Peço desculpas ao cinema brasileiro

Registros históricos indicam que o cinema nacional surgiu em 1896, com grande repercussão internacional, na época do Cinema Novo, e momentos de crescimento do mercado interno, como no período da Embrafilme. O contrário também é um fato, vide o momento nebuloso durante o período do governo Collor, onde não tinham produções de qualidade.

O cinema nacional ressurgiu no período chamado de Cinema de Retomada, com a produção Carlota Joaquina: A princesa do Brasil, dirigido por Carla Camurati. Hoje, com apoio da Ancine, nunca se produziu tanto filme em terras tupiniquins. Contudo, muita gente pouco consome o cinema nacional, devido à sua “qualidade inferior” ao cinema hollywoodiano. Durante um tempo, tive esse mesmo pensamento sobre a tal qualidade, vindo aqui para pedir as minhas sinceras desculpas.

Muitos medem a qualidade do cinema nacional por filmes que não fazem jus à sua grandiosidade. Comédias meia-boca e filmes com roteiros duvidosos passam longe do que é o cinema brasileiro de verdade. Ao sair de uma sessão única de Bingo, percebi o quão rica é a cinematografia brasileira. Daniel Rezende* imprime estética e qualidade em todos os aspectos do filme. E Bingo é apenas um dentre tantos clássicos que o cinema brasileiro já proporcionou, como Central do Brasil, Carandiru, O Auto da Compadecida, Meu Nome Não é Johnny, Dois Coelhos, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e muitos outros, que colocam o cinema brasileiro frente a frente com qualquer produção gringa.

*Diretor do longa e montador de outros grandes filmes, como Tropa de Elite e Cidade de Deus.

Por fim, deixo a sugestão para quem está lendo esse texto, de deixar de lado alguns preconceitos com o cinema nacional e se permitir conhece-lo. Prestigiar o trabalho de nossos talentos e ao término, tirar suas próprias conclusões. Garanto que você, assim como eu, irá se surpreender.

About Ronan Carvalho 37 Articles

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell’s Kitchen