Política e Cultura Pop

Já tem algum tempo que me propus a escrever e gerar conteúdo sobre cultura pop, e, às vezes, tenho lá minhas dúvidas se foi uma decisão assertiva. Não é pelo fato de não gostar do que faço, muito pelo contrário, mas observar como por diversas vezes, nos é cobrado para sermos imparciais, e não envolver política com cultura. Como se as duas não estão entrelaçadas entre si?

 

Na filosofia aristotélica, Política é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana, e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem) e, na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva). O objetivo de Aristóteles é justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão. Por isso mesmo, a política situa-se no âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam o conhecimento como meio para ação.

 

Já a cultura  é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente, especialmente na antropologia, a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo o qual, cultura é “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. Comumente associada às formas de manifestações artísticas, a cultura muitas vezes é confundida com desenvolvimento, bons costumes, requinte e comportamento de uma determinada classe elitista.

 

Mas o que isso tem a ver com cultura pop/nerd? Antes de mais nada, TUDO!

 

Hoje, mais do que nunca, temos acesso a diversas produções culturais. Livros, filmes, séries, quadrinhos, jogos, comerciais, peças, novelas, músicas. Estamos cercados por mensagens, de visões de mundo e questionamentos, que têm um significado na formação de valores e atitudes do público. Não à toa, diversas produções são barradas em países por conter mensagens que possam ascender a uma rebelião popular, como Jogos Vorazes, por exemplo. Na Índia, por exemplo, a indústria do cinema de Bollywood é usada como forma de disseminação de informação quanto a saúde, higiene e maternidade, atingindo as comunidades que não têm acesso à internet, mas conseguem, ainda assim, consumir o cinema.

 

A arte sempre foi usada como manifestação. Desde as pinturas de Picasso, ao rap de Djonga, ao falar de sua quebrada em BH.  Até o meme que você compartilha nesse exato momento, é uma forma de expressão política – ao “tirar sarro” dos representantes é também uma forma de apontar/acender uma luz às incongruências das promessas e dos malefícios de se colocar gente despreparada nas cadeiras de comando.

 

Se tais manifestações ainda não lhe convenceram sobre a ligação entre política e cultura, voltemos a um dos momentos mais emblemáticos da  história mundial: as produções audiovisuais foram como armas na campanha de fortalecimento da supremacia ariana alemã, enquanto, em contrapartida, os mesmos desprezavam tudo que se associa à arte por remeter às produções judaicas. Sugiro que assistam ao documentário “Arquitetura da Destruição”, para melhor entendimento.

 

Todo filme, livro, música, série é política. Você é um ser político. E dentro de todas essas afirmativas, você pode aceitar ser o ser político que Aristóteles diz, ou viver na caverna de Platão. Talvez isso lhe traga algum conforto, mas você nunca saberá se não confrontá-la. A verdade está lá fora [da caverna].

 

Fonte: Política e Cultura Nerd

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Ronan Carvalho

Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen