Qual o problema das mulheres?

O que faziam as mulheres antes de terem suas existências autorizadas pelos homens? Essa pergunta seria chocante se sua origem não tivesse uma fundamentação. Calma! Deixa eu explicar…

Por diversas vezes, quando tentamos buscar na memória os tempos remotos (para alguns nem tão remotos assim) da escola, principalmente nas matérias que referenciavam grandes feitos da história, pouca – ou quase rara – é a lembrança de nomes do universo feminino que tiveram sua importância à colaboração com a ciência nos mais variados aspectos. De modo geral, facilmente nos remetemos a nomes dos “caras com longas barbas” e de seus feitos. Mas, afinal de contas, não haviam mulheres?

A partir dessa grande interrogação, a cartunista britânica Jacky Fleming – conhecida no universo dos quadrinhos através de seus posicionamentos em forma de tirinhas para cartões postais (1970) – traz um compilado de cartoons, de humor ácido, que contemplam as ideias mais “absurdas” (“absurdas” vêm em aspas pois, pode acreditar, haverá sempre alguém a dizer que não “há nada demais”) defendidas por célebres pensadores, cientistas e influenciadores da época, como Darwin, Kant, Rousseau, Schopenhauer e outros tantos.

Segundo a cartunista, muitas mulheres que foram de encontro à época e pensamentos (falocêntricos) vigentes e, assim, quebraram barreiras – trazendo resultados notórios à ciência e história -, foram simplesmente esquecidas (ou simplesmente lançadas) na “lixeira da história”, pela simples ousadia de tentar.

Vários eram os estigmas criados ao redor das mulheres como forma de impedi-las de sair da “esfera doméstica”, com as quais eram trabalhadas desde a infância para construção do modelo de subserviência, associando o desenvolvimento intelectual dessas mulheres à desgostos como, queda de cabelo, aparecimento de barba, anemia e dificuldades no parto (sim, eles alegavam isso também). Sendo assim, era “muito mais seguro” à elas permanecerem em casa realizando atividades simples, como cuidar da casa inteira e tudo que a contempla, e aprender a fazer bordado, sendo elas, então, identificadas como muito frágeis e incapazes do desenvolvimento físico e intelectual.

Além das várias críticas implícitas no humor ácido, Jacky Fleming nos felicita ainda com uma mini biografia de importantes mulheres que foram de encontro à obediência (“bicicleteiras destemidas” – tem que ler para entender a referência), as quais marcaram de alguma forma a história por suas atitudes, como Ana Maria Van Schurman, Hildegard von Bingen, Phillis Wheatley, dentre outras.

Este seria, então, o problema das mulheres: sempre levam as coisas longe demais – só para deixar claro, continuaremos levando!

Danielle Sodré
Sobre Danielle Sodré 35 Artigos
Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.