Quando o entretenimento está além do entretenimento

Vivemos um momento político muito efervescente nos últimos anos. A “polarização” que é vista explicitada nas redes sociais e grupos de whatsapp é tamanha, que domina todas as rodas de conversa, desde o trabalho até os almoços de domingo. Mas você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com entretenimento? TUDO!

Há tempos, o entretenimento deixou de ser puramente entretenimento. As histórias que são vistas e lidas carregam consigo sempre uma mensagem que o roteirista, artista, escritor quis passar para a massa consumidora. É impossível ler/assistir Star Wars e não perceber (ou quase não) um background político que George Lucas sempre apresentou como enredo para suas histórias. Ou, Harry Potter, mesmo se tratando de uma literatura infanto-juvenil, carrega uma forte mensagem contra o preconceito, dentre outras abordagens. E nem sempre os enredos construídos para os materiais/produções que se consomem vão coincidir com sua percepção de mundo (e nunca irá) – existem vários tipos de produções e os mais variados tipos de posicionamentos, sendo possível acessá-los de acordo com o interesse, ideais etc.

Nesse sentido, mais do que entender o que se propõe as produções, se faz importante conhecer também, o criador da obra. O caso de Roger Waters se tornou mais um exemplo claro dessa falta de conhecimento sobre a vida do artista e sua obra. Seu posicionamento vai além de uma mera convenção em forma de show, fundamenta-se também em quem é a pessoa Roger Waters, e isso fica mais claro quando ele diz que “todos os artistas, não interessa qual tipo de arte você faça, todos têm responsabilidades de usar a arte para expressar ideias políticas e criar demandas em favor dos direitos humanos para todos“. Ou seja, as diferentes expressões do entretenimento, também se compõem como uma manifestação política.

Não muito distante disso, os filmes sempre expressaram uma crítica ou acaba tocando em “feridas” que acabam por incomodar quem não compreende da mesma forma o que se pretende apresentar. A abordagem de ‘Corra!’, por exemplo, com pitadas de sarcasmo e terror, trouxe à superfície o racismo velado, que acabou por despertar o incômodo de muitos. Jordan Peele sempre teve essa ideia, de passar a sua mensagem através da obra – sabendo claramente como, não a toa, chamou a atenção da Academia do Oscar.

As convicções sobre política, religião e temas sociais são divergentes entres os mais diversos públicos – o que é normal e, muitas vezes, salutar. Entretanto, a certeza que o preconceito, que muito se vê expresso em comentários, principalmente nas redes sociais, sobre as mínimas mudanças anunciadas à produções – como etnia, gênero, ou orientação sexual – não cabe nesse universo chamado cultura pop. E não, não é um questão “apenas” de opinião, como se muito acredita. Qualquer promoção de ódio ou desprezo à diversidade, é sempre cortejar com o lado negro da força.

Sobre Ronan Carvalho 96 Artigos
Designer, Gamer, Membro da Tropa dos Lanternas Amarelos e morador de Hell's Kitchen

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