Star Wars: Alvo em movimento – Uma aventura da Princesa Leia

A missão Lua Amarela foi uma ousada manobra empreitada pela corajosa princesa de Alderaan em prol da Aliança pela Restauração da República; pela paz entre povos.

A editora Seguinte (Companhia das Letras) publicou, em 2015, uma sequência de livros que vêm a complementar os conteúdos canônicos já publicados da saga Star Wars. Neste caso, em especial, esses volumes – três, até então – apresentam recortes que contribuíram, de alguma forma, para a jornada para Star Wars: O despertar da Força.

A General Organa, depois de muito relutar, se apresenta mais disposta a registrar suas memórias com o auxílio da dróide PZ-4CO, e é nesse registro de memória, que a aventura avança. O contexto histórico para seu registro transita entre “O império contra-ataca” e “O retorno de jedi”, permeando as preocupações da então princesa no fato de Han Solo continuar preso à carbonita e do ar misterioso que rondava o jovem Skywalker.

O plot dessa memória está justamente na apresentação aos líderes da Aliança, em Zastiga, dos planos imperiais à ativação da segunda Estrela da Morte e de quão fragilizada estava a Aliança Rebelde para ação e, então, neutralização desta nova e mais poderosa ameaça galáctica.

A apresentação dessa produção acerta de forma categórica na ambientação e desenvolvimento daquela que é símbolo da Aliança Rebelde, destacando seu papel estratégico, diplomático e de combate, face à configuração de um risco maior que venha a comprometer o equilíbrio entre povos.

Ao tempo em que a princesa articula uma alternativa para que a Aliança viesse a ganhar uma vantagem estratégica sobre a investida, existe uma atmosfera de provação que acompanha a personagem. Essa questão têm sido presente nos materiais complementares que desenvolvem as tramas de Leia Organa, pondo em cache o papel a ser desenvolvido por uma representante política de um povo.

Nenhuma outra produção da franquia fora de encontro a esta postura arrojada – posta como assinatura da Leia Organa -, o que, de longe, facilmente reitera a vinculação de proximidade entre a personagem e seus apreciadores, em especial, às mulheres – nesse ponto, percebemos, enquanto exemplo, o sentido da representatividade dentro da cultura pop.

Um importante destaque dado aos “n” episódios que compuseram a saga do herói – no caso, heroína – foi o diálogo entre Mon Mothma e a princesa, em que ambas desafiam,  entre trocas argumentativas, qual deveria ser a postura/atitude da figura que Leia representava à Aliança, aos povos.

Por se tratar de registros de memórias, o livro conta em sua estrutura narrativa, com a intercalação de diálogos e do desenvolvimento de pensamentos – que chegam a interagir com o leitor -, embarcando o mesmo na aventura entre planetas.

A manobra estratégica liderada por Leia envolveu tomadas de decisões duramente assumidas, entrando em desacordo com muitos dos envolvidos, mas que, se assim seguidos, poderiam garantir (ou ao menos proporcionar) o sucesso da Aliança sobre o Império. O que a princesa não imaginaria é que, mesmo arriscando a vida de milhares, contaria com a lealdade desses povos e combatentes à causa apresentada.

A continuação dessa história já sabemos: na batalha de Endor, a Aliança foi vitoriosa.

Em seu fechamento narrativo, a General Organa se prepara mais uma vez para entrar em ação, agora em Jakku.

Star Wars: Alvo em movimento passa no Teste de Bechdel.

Danielle Sodré
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Engenheira Ambiental e Sanitarista. Fã da Mulher-Maravilha. Entusiasta por representações femininas na cultura pop e suas repercussões