Touro Ferdinando | Crítica

A animação da Fox Filmes, dirigida por Carlos Saldanha, estreia no dia 11 de Janeiro e trás uma adaptação leve e divertida do livro infantil “A História de Ferdinando” – de Munro Leaf – lançado em 1936.</P

O livro veio alguns meses antes do início da Guerra Civil Espanhola, na época foi proibido inclusive no seu país de origem, mas o tamanho sucesso rendeu traduções em mais de 60 idiomas e, reza a lenda, que era um dos livros que Gandhi mais apreciava.

O enredo base já é nosso conhecido: Ferdinando é um touro, mas ao contrário do que se espera, ele é um pacifista. Ainda sim, pela sua aparência e algumas coincidências, ele é forçado a abandonar a vida no campo em meio às flores para participar de uma tourada. Essa sensação de “velho conhecido” não é devido ao sucesso do livro aqui no Brasil, e, sim, porque não é a primeira adaptação dele para as telas. Nós – que temos um probleminha com excesso de animação em nossas vidas – vamos lembrar do curta lançado pela Disney com o mesmo título, inspiração e detentor de um Oscar.

Com os direitos autorais em mãos, e o aval da família de Leaf, Saldanha partiu para uma adaptação ambiciosa de um pequeno livro; mas o que temos aqui? O grande “Bum” da obra original foi a época de seu lançamento: o autor falou de pacifismo quando claramente ninguém estava ligando, mas trazer essa temática para uma animação na atualidade é pedir para ser ignorado: “os desenhos que falam disso são para crianças muito pequenas, porque eu me daria ao trabalho de sair de minha casa e assistir?”.

Sinceramente: eu não sabia. Os personagens são simpáticos, a animação é agradável, a paleta de cores é um trabalho especialmente comentado pelo diretor, e é um momento leve, mas seu destino não deve ser o de entrar para o hall de sucessos de bilheteria.

Passei um tempo pesquisando, encontrei uma bela história por trás e fui percebendo aos poucos que nenhuma animação recente fala de manter-se fiel a você mesmo e de pacifismo como esta: É uma boa mensagem para nossas crianças, mas elas não vão dar tantas risadinhas quanto os adultos. Minha filha largou um “Nem é tão engraçado assim mãe” na minha terceira ou quarta risada e isso me preocupou.

4/5 dadinhos pela coragem e um desejo boa sorte.