Uma Quase Dupla – Mais uma falha nacional

Uma Quase Dupla é um filme nacional, com estreia prevista para 19 de julho deste ano. Uma produção da Biônica Filmes e Paris Entretenimento, com coprodução de Paramount Pictures e Globo Filmes, possuindo no elenco nomes como Tatá Werneck e Cauã Reymond.

Keyla (Tatá Werneck) e Claudio (Cauã Reymond) são dois policiais que não têm nada em comum, mas se veem obrigados a trabalhar juntos na pacata cidade de Joinlandia. Ela é uma investigadora competente que acha que pode resolver tudo sozinha. Ele é um subdelegado boa praça e nada eficiente. Os dois vão formar uma dupla improvável, e juntos, tentar capturar um habilidoso assassino em série.

Com belas imagens e cortes de câmera precisos, o longa peca no roteiro, deixando muito a desejar… Piadas de fraco efeito e repetitivas no contexto geral da trama enfraquecem o já saturado clima de comédia pastelão nacional – algumas dessas piadas surtiram muito mais efeito se feitas em um único momento do longa.

Tatá Werneck é uma humorista que faz piada com base no excesso. Nesse filme, vemos mais uma vez o seu excesso em tentativa de humor, mas sua escassez em graça de fato.

O grande ponto a ser debatido  (relacionado ao excesso) é a falta de equilíbrio nos personagens retratados. Veja, numa trama de comédia como essa, é importante apresentar um personagem sóbrio e próximo ao real, para que este sirva de ponto de equilíbrio e referência na história. Nessa produção em questão, a presença desse personagem está em falta.

Todos os personagens descritos possuem desequilíbrio evidentemente escrachado, que impossibilita o balanço entre o humor alegórico e a realidade. Não é possível achar graça o tempo todo e, se todos tentam fazer piada simultaneamente, é difícil para o telespectador reconhecer o ponto chave do humor.

O plot twist não sofre grande reviravolta, e tudo é muito previsível. É nítida a inserção de improvisos em inúmeras cenas, mas eles não obtém êxito naquilo a que se propõem: arrancar risadas dos que estão assistindo.