Uma surpresa boa em “Eu só posso imaginar”

Essas produções baseadas em fatos reais sempre me pegam pelo pé e com Eu Só Posso Imaginar não foi diferente – a empatia reina aqui. Vou começar jogando que sim, é um filme cristão e acredito que mais da metade já não vai ler.

A você que permaneceu fica um adendo: É sobre música e a jornada que levou à sua composição só que, por acaso, as letras falam sobre fé. O filme, que estreia no dia 31 de Maio, nos conta a história de Bart Miller (J. Michael Finley), compositor da canção de mesmo nome do longa, que foi um sucesso arrebatador e ficou entre as mais pedidas mesmo em rádios não religiosas da época.

Nós somos colocados de frente a um questionamento: Como foi compor essa música? Diante de uma resposta pouco convincente surge uma afirmação: Uma música dessas não pode ser criada em 10 minutos, é preciso uma jornada.

Bart viveu uma infância conturbada. O pai, Arthur Millard (Dennis Quaid), enfrenta a vida adulta como o exemplo de um fracassado e desconta suas frustrações em sua esposa e filho. Como se não bastasse, a mãe abandona a casa e deixa o filho de 10 anos com o pai, ou seja, prato feito para agressões verbais e físicas sem limites. O jovem, claramente apaixonado por música, deixa tudo de lado para seguir na carreira esportiva e impressionar o pai, na tentativa de que cessem os abusos.

Posteriormente, diante de uma grande desventura, ele acaba retornando à sua primeira paixão ainda durante o colegial. Em meio a isto nós vemos um jovem que não fala sobre a parte ruim de sua realidade, mantém seus amigos e namorada o mais longe possível de sua casa, fugindo desesperadamente de qualquer tentativa de iniciar o assunto. A formatura do ensino médio é o começo de sua jornada para abandonar todo o passado de sofrimento, cortar completamente os laços com o pai e toda a frustração que aquela cidade representa.

Os filmes baseados pela fé no geral têm qualidade questionável no enredo e na atuação – posso arriscar que é pela tentativa incessante de fazer pessoas comuns um símbolo de perfeição, mas é um chute -, coisa que não acontece aqui. No longa, não somos bombardeados com as cenas de violência mais pesadas. Percebemos que não importa o tamanho da fúria, o abuso constante está claro desde que Bart corre para deixar o café pronto e sair sem precisar lidar com o velho pai.

Dennis Quaid merece uma menção honrosa dentre os atores. Não que os outros sejam ruins, pelo contrário, mas no papel do pai ele está sensacional. Parte desse diferencial vem pronto de uma história de vida, outro pedaço na habilidade do próprio cast, e eu daria o terceiro pedaço deste gráfico à trilha sonora e a narrativa.

Eu Só Posso Imaginar é uma surpresa boa que representa uma evolução notável no cinema baseado na fé. Vou dar 4\5 dadinhos na espera de mais surpresas como esta.

Larissa Bacelar
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Mãe Trekker. Tem como profissão o Design Gráfico e aposta sempre na inteligência e na originalidade como boa pertencente da Ravenclaw.